sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Mais forte que eu...

Bom dia, amigos leitores!

Aqui estou eu, tentando trabalhar (já que o mês de janeiro é tudo tão monótono e sem muito serviço); estou aqui quebrando a cabeça com o bendito CAR (Cadastro Ambiental Rural), e nada melhor que postar um pouquinho para aliviar a tensão psicológica que esse CAR nos causa!

Aff, esse CAR é um teste de paciência, pois, uma hora é a internet que não funciona; outra hora é o sistema que trava; outra hora é a documentação antiga que vem cheia de erros e o sistema não aceita...e por aí vai!

Ainda acho que o governo só cria regras para complicar nossas vidas e a dos produtores rurais, principalmente no que diz respeito a meio ambiente! Nossa, é muita burocracia desnecessária, já que os produtores são obrigados a realizarem tantos cadastros, são tantas taxas a serem pagas, tanto blá, blá, que no final, a gente sabe que só servem para cumprir protocolos e mais nada...hoje em dia não é fácil ser produtor rural no nosso país...e olha que eu nem sou produtora rural e já sinto na pele o que eles passam...e viva a burocracia brasileira!

Mas hoje eu não vim falar de problemas ambientais, na verdade, isso foi só um desabafo no que diz respeito ao CAR, já que os pequenos agricultores é que são sempre os mais prejudicados com toda essa burocracia desnecessária! 

Hoje vim falar de mim... não tá fácil, há meses venho repensando minha via profissional e confesso que não estou nada satisfeita com ela!

Não que eu esteja reclamando do trabalho em si, mas das coisas que não se desenvolvem, da falta de perspectiva que assombra os meus pensamentos e sonhos  mais profundos!

Ás vezes me sinto assim, meio desmotivada! Acho que meu problema é sonhar demais (risos)!

Até setembro do ano passado minha vida era um corre-corre só; casa, prefeitura, casa, escola e assim era minha rotina de segunda a sexta! Era bom, gratificante, o retorno financeiro também não era tão ruim, mas sei lá, nós seres humanos temos este defeito não é mesmo? Estamos sempre querendo mais...

Confesso que eu adorava aquela rotina de tarefas e desafios, mas estava ficando tão cansada, me sentia tão pressionada mentalmente, que quando chegava o fim de semana, lá estava eu, morta, mortinha de cansaço...e no final, me sentia como se faltasse alguma coisa! E não estou falando de questão financeira, dinheiro nunca foi meu maior objetivo (tanto é que sou pobre desde que nasci,rsss).

Porque tem que ser assim? Tem sempre que faltar alguma coisa, se não é dinheiro, é tempo, se não é tempo é lazer, se não é lazer é trabalho...e por aí, vai!

E assim foi meu 2015...e o 2016 chegou...mais calmo, mais monótono, e no final, aqui estou eu, morrendo de saudades daquela rotina!

Eu juro que já pensei várias vezes em mudar de profissão, sei lá, fazer algo que não esteja relacionado direta ou indiretamente com meio ambiente, MAS É MAIS FORTE QUE EU!

Criei minha loja virtual, faço minhas bijuterias e semi-joias, mas isso é mais um hobby do que um trabalho, porque na verdade, nunca tive "tino" para vendas...como vendedora sou péssima (risos); até hoje me pergunto como sobrevivi a cinco anos na área do varejo!

Sei lá, tem algo que me prende a essa área ambiental, não consigo explicar com palavras! 

"Hoje" eu viro e falo pra mim mesma: a partir de hoje não quero mais saber de projetos socioambientais; não quero mais saber de dar aula de meio ambiente; não quero mais trabalhar na prefeitura; vou chutar o balde e mudar de ramo, não quero mais saber de meio ambiente na minha vida...

..."amanhã" me liga uma colega de trabalho toda feliz e diz, "Cátia, se não tá sentada, senta, o projeto foi aprovado" e que projeto é esse? Um projeto apresentado em chamada pública, no qual eu, essa colega e mais outra colega de trabalho, nos empenhamos para elaborar e claro, com o intuito de que ele fosse aprovado, e o melhor ainda, incluindo o meu projeto que tanto amo "Projeto Eletrolixo" para ajudar aquelas pessoas tão importantes no gerenciamento de resíduos sólidos, que existem  e na maioria das vezes são praticamente invisíveis para a maioria, que deveria respeitá-las e agradecê-las por realizarem um trabalho tão importante, não só para o meio ambiente, mas para a saúde pública, educação e o nosso planeta como um todo!

E o "pior" de tudo, para agravar ainda mais a minha situação psicológica, ambientalmente falando (risos), ainda recebo o Email da escola da qual dava aulas até final do ano passado, já me orientando e avisando sobre a volta às aulas!

Isso sem contar essa minha vontade constante de estar sempre fazendo um novo curso na área ambiental; sempre que fico sabendo de algo, lá vai "euzinha" me cadastrar e tentar fazer...ahh se pudesse viver e ganhar o suficiente para estar sempre estudando e me aperfeiçoando nessa área...

...ai eu penso; Meu Deus, deve haver um propósito para que o Senhor não permita que eu me livre desse carma ambiental, só pode! 

É uma área tão sofrida, tão desgastante, tão mal remunerada (pelo menos para nós Tecnólogos); mas que no final, dá uma sensação de euforia, de missão cumprida, de prazer, de alegria e vontade de começar novos planos, novos projetos ambientais... e o brilho nos olhos volta com toda força!

Não sei, o que me espera nesse ano que se acabou de iniciar, mas de uma coisa eu sei: preciso continuar dando o melhor de mim, independente das dificuldades e dos medos que me apertam o coração de vez em quando!

Só tenho certeza de uma coisa: esse tal meio ambiente É MESMO, MAIS FORTE QUE EU!

Não fui eu quem escolhi o meio ambiente, foi ele que me escolheu! Talvez seja por isso que me frustro diante a monotonia e a falta de cooperação às vezes para fazer as coisas funcionarem!

Sei que preciso ter os pés no chão, e olha que eu tenho viu, porque senão, já tinha pirado literalmente ou então teria chutado o balde faz tempo!

Mas sou o tipo de pessoa, que apesar de ter os pés no chão, não sabe viver as coisas sem sentir com alma, com o coração e o com brilho nos olhos! Eu acredito no impossível, mesmo às vezes, insistindo em dizer não, para mim mesma!

E por falar em impossível, deixa eu ir ali, terminar o bendito CAR, porque vou ser sincera com vocês, é realmente impossível, realizar um CAR sem "pirar na batatinha " (risos) eita trem chato! E ainda me perguntam porque não pego alguns CAR's para fazer por fora (consultoria)...tá louco, é ruim hein, esse trem é muito chato de fazer e não há dinheiro que pague a minha tranquilidade!


Foto: Google

Bora tentar trabalhar um pouco neh gente, afinal, não sou paga para ficar postando em Blog e sim para terminar esse bendito CAR, que agora, graças ao sistema que parece que destravou, acho que vou conseguir terminar pelo menos uns dois hoje!

Abraços,

Cátia Rodrigues
Tecnóloga em Gestão Ambiental












quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

E continua a novela...desastre ambiental em Mariana MG!

Boa tarde, fiéis leitores!

Bora começar o primeiro post do ano aqui no Blog, com assuntos relacionados à tragédia de Mariana, MG?

Pois é, dois meses se passaram e a novela continua!

Digo "novela" no sentido de indignação, pois infelizmente, são tantas especulações, tantas informações desencontradas e misturadas a tanto sofrimento que chega a decepcionar, principalmente a nós,  meros telespectadores de um dos maiores desastres ambientais dos últimos tempos! 


...sim, isso mesmo, chega a embrulhar o estômago, devido a tanta demagogia!


Foto: Google

Eu faço parte do grupo das pessoas anônimas que mobilizou amigos e conhecidos para arrecadar doações e encaminhá-las aos desabrigados! Foi o mínimo que pude fazer, para demonstrar o sentimento de tristeza, solidariedade e revolta, diante a essa tragédia!

Me sensibilizei literalmente, como todos se sensibilizaram; chorei, como muitos choraram ao ver e ouvir relatos dos moradores daquela região. Gente que perdeu tudo, gente que perdeu amigos, parentes, vizinhos...gente que perdeu a dignidade, gente que perdeu a vida!

Só agora resolvi comentar sobre o assunto, por causa de tantas informações contraditórias, tanta desinformação e de pessoas que simplesmente, usaram o sofrimento alheio para se promoverem!

Mas o que me levou a postar sobre isso hoje, foi exatamente a matéria supracitada, haja vista, não concordar com algumas coisas...

...não vou ficar apontando culpados, procurando justificativas e muito menos me colocando do lado de alguém! Pois independente de quem seja, do que aconteça, uma coisa que aprendi com a minha saudosa mãezinha, é que devemos sempre ficar ao lado da justiça e da verdade...



Foto: Google
Mas que verdade? Que justiça?

A verdade que cabe somente aqueles que vivenciaram a situação; a verdade que somente aqueles que conviveram durante todo o tempo com os envolvidos, antes de acontecer a tragédia; a verdade que não compete nem a mim, nem a você, decidir, porque nós não estávamos lá, nós, não morávamos lá, para sabermos afinal, o porque daquelas pessoas viverem ali, tão perto do perigo anunciado...nós, não trabalhávamos lá para conhecermos a fundo o funcionamento da empresa e suas questões práticas de segurança, no dia a dia!

Então somente resta tentarmos nos auxiliar através da justiça...mas a justiça também, não nos compete nesse momento! Por mais que sejamos contra ou a favor, seja dos desabrigados ou seja das empresas envolvidas, a nossa voz, será apenas mais uma no meio da multidão, gritando por socorro, por justiça!

Tem uma frase, que carrego sempre comigo: "Dê a César, o que é de César"!

Será mesmo que somente a justiça (seja ela, civil, criminal e/ou ambiental) poderá ser capaz de decifrar os verdadeiros fatores que causaram tamanha tragédia?

Como? Já que esta mesma justiça que condena, é a mesma justiça que deveria fiscalizar e evitar que a tragédia ocorresse? E se a tragédia ocorreu, entende-se que não houve fiscalização, e se houve, alguém falhou ao fiscalizar!

É uma "faca de dois gumes" esperar que as coisas se resolvam apenas com condenações prematuras!

Digo condenações prematuras, porque na matéria do G1, cita-se que: "Em nota, a Samarco afirmaou que não concorda com o indiciamento dos profissionais" porque até o presente momento não há uma conclusão pericial técnica das causas do acidente".

É um direito da empresa não concordar, afinal, tecnicamente, não podem indiciá-los pelo ocorrido sem antes terem a prova; prova esta, que deverá ser minuciosamente analisada, periciada e aí sim, conclusiva!

Entende-se que, se a PF está indiciando os "culpados" é porque houve a realização da perícia ambiental para que se chegasse a essa conclusão; e creio eu, que se chegaram a essa conclusão, basearam-se em todos os parâmetros legais que devem ser realizados através da perícia ambiental.

Uma tragédia desta magnitude, não pode ser baseada apenas na Lei de Crimes Ambientais (9.605/98); é preciso avaliar o impacto ambiental como um todo, e para isso, necessita-se de uma equipe multidisciplinar.

Para que uma perícia ambiental seja realizada de forma transparente e que não deixe dúvidas, há a necessidade da realização de uma complexa análise pericial, diante a situação atual; onde deverá ser verificada a real extensão do problema que envolve todas as questões ambientais do local, e entende-se que tais questões, vão além dos conhecimentos da polícia (a menos que essa própria polícia, tenha um perito ambiental, que atenda a todos os requisitos exigidos de um perito para auxiliá-los nesta questão, conforme regulamenta o CPC em seus artigos 420 a 439).

Numa situação dessas, a veracidade dos fatos é imprescindível para que não haja injustiças, ao apontar os "culpados".

Outro ponto importante, que faço questão de questionar aqui é: Por quê os órgãos fiscalizadores não estão sendo citados nessas condenações?

Como representante de órgão ambiental fiscalizador, sei da tamanha responsabilidade que é você avaliar, opinar e emitir um parecer e/ou uma autorização, principalmente ambiental. Mas entendo que, se houve dúvida durante a avaliação, porque não pesquisaram ou pediram uma segunda opinião técnica antes de autorizarem? Ou se não houve fiscalização "in loco", mas apenas análise de documentos, como pode um fiscalizador em sã consciência, agir desta maneira anti-ética?

Se as medidas preventivas tivessem sido realizadas, não estariam agora, atirando para todos os lados e tentando correr contra o tempo para aplicar as medidas corretivas e mitigarem os impactos causados.

Bom pessoal, só relatei aqui, a  vocês a minha opinião, como profissional da área ambiental (dividindo com vocês parte, do pouco conhecimento técnico que tenho ), mas principalmente como cidadã, mãe, filha, esposa, amiga, tia e principalmente, como ser humano, que não se sente nem um pouco feliz ao estar comentando um assunto tão triste e trágico como este.

Sei que muitos irão me criticar, mas quero deixar bem claro, que criei este Blog justamente para isso, para expor aqui minhas ideias, pensamentos e opiniões, independente se vão aprovar ou não; pois, na maioria das vezes é melhor postar em um Blog o que você pensa, pela autonomia que você tem de opinar, do que ficar postando certas coisas em redes sociais, que só irão causar polêmica e desgastes desnecessários com pessoas que apenas leem e não interpretam o que foi escrito!

No fundo, no fundo, eu só espero que a verdade apareça e que a verdadeira justiça seja feita, independente de quem sejam os culpados; os moradores atingidos não podem continuar vivendo nessa incerteza de quando terão e se é que terão, "suas vidas de volta"!


Foto: Google

E quanto as especulações, as informações contraditórias e algumas inverdades tanto sobre as empresas, quanto sobre os sobreviventes e atingidos por esta tragédia, eu prefiro continuar apenas assistindo de longe o desfecho desta tragédia e torcendo para que possam ter um final menos doloroso, porque um final feliz é impossível imaginar neste momento!

Abraços,

Cátia Rodrigues
Tecnóloga em Gestão Ambiental