segunda-feira, 27 de abril de 2009

Madeireiros escondem tratores e fogem de fiscais ambientais no Pará

Serrarias clandestinas usavam madeira de reserva indígena.

Do Globo Amazônia, em São Paulo


Quando os 30 carros da operação do Ibama chegaram na pequena cidade de Nova Esperança do Piriá, no Pará, praticamente já não havia mais madeireiros. As serrarias estavam vazias, e os tratores – as máquinas mais valiosas dos cortadores de árvores – haviam sumido no meio do mato.
A cidade, de cerca de 22 mil habitantes, tem a economia baseada na madeira. Segundo o Ibama, a maior parte das árvores é retirada de uma reserva indígena vizinha. Cerca de cem homens participam da operação, a maior realizada pelo Ibama em 2009. Eles vão ficar até o final de abril, quando todas as ilegalidades ambientais da cidade foram resolvidas.


Reforço pesado

Como o Ibama tem sofrido ameaças em fiscalizações no Pará, desta vez os fiscais do órgão ambiental estão acompanhados de agentes da Força Nacional de Segurança, Polícia Militar, Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Funai e Polícia Rodoviária Federal.

Logo nos primeiros dias de operação, 13 serrarias de Nova Esperança foram fechadas. Em uma delas, os fiscais encontraram armas, e uma pessoa foi presa. Um sobrevoo sobre a Terra Indígena Alto Rio Guamá identificou plantações de maconha e retirada ilegal de madeira. Vários fornos de carvão também foram destruídos.

“Tem que haver presença do estado para acabar com essa atividade, porque os recursos naturais aqui já estão se exaurindo”, afirma o superintendente do Ibama no Pará, Anibal Picanço.

Desemprego

Como grande parte da população depende das madeireiras para sobreviver, há grande tensão na região. Para diminuir o impacto econômico na cidade, a promessa do governo é que haverá distribuição de 2 mil cestas básicas e a regularização dos trabalhadores demitidos junto ao Ministério do Trabalho e Emprego, para que possam receber seguro-desemprego. Parte do material apreendido também deve ser revertido em obras na região.

FONTE DE PESQUISA: www.globoamazonia.com

Queimadas são piores do que se pensava para o aquecimento global

Fumaça atrapalha a formação de chuvas.
Carvão e fuligem fazem terra absorver mais calor.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

Em um ciclo vicioso, as queimadas podem estimular o aquecimento global e, com o aumento da temperatura, o próprio fogo aumenta. Esse é um dos alertas feitos por um grupo de 22 cientistas – entre eles o brasileiro Paulo Artaxo, da USP – que revisou as pesquisas sobre o fogo em florestas e savanas.

Segundo o artigo publicado por eles nesta sexta-feira (24) na revista Science, o fogo corresponde a 50% da emissão de gases de efeito estufa provindos da queima de combustíveis fósseis, como a gasolina ou o óleo diesel.

Foto: Revista Science/Reprodução

Áreas amarelas e vermelhas mostram a concentração de quaimadas no planeta entre 2001 e 2006. As bordas da floresta amazônica são um dos locais mais afetados pelo problema. (Foto: Revista Science/Reprodução)



Além dos gases nocivos, a fuligem e o carvão deixados pelas queimadas podem ajudar a aquecer o planeta. Isso ocorre porque essas substâncias, por serem escuras, absorvem muita luz solar. É como se a superfície do planeta trocasse uma camiseta verde ou amarela por uma preta, e saísse no sol.

Um outro efeito nocivo das queimadas é a diminuição das chuvas. De acordo com o estudo, a fumaça e o carvão aumentam a temperatura local e inibem a movimentação natural de massas de ar quente e frias, atrapalhando o ciclo da água.

Se não houvesse queimadas, a estimativa é de que as florestas poderiam dobrar o tamanho que ocupam na terra, pois as árvores invadiriam áreas de savana.

No Brasil, a região mais afetada pelo fogo é o chamado arco do desmatamento, onde a indústria madeireira, a agricultura e a pecuária avançam sobre a floresta amazônica.

FONTE DE PESQUISA: www.globoamazonia.com

Estudo demonstra que ação humana afeta ciclo do carbono no Xingu

Bióloga registrou altos índices de carbono orgânico em chuva.
Queimadas e desmatamento alteram ciclo natural da floresta.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo


A bióloga Vania Neu (esquerda) verifica índices de dióxido de carbono em computador acoplado a câmara flutuante em rio. (Foto: Vania Neu/Arquivo Pessoal)

Medições feitas durante um ano numa bacia afluente do Rio Xingu, no município de Canarana (MT) comprovam que a ação humana, como queimadas, desmatamento e agricultura interferem no fluxo de carbono na floresta. A região é de mata de transição entre o cerrado e a floresta tropical, e está sob pressão do avanço da fronteira agrícola.

“Esse ecossistema está sumindo do mapa quase sem estudo”, afirma a bióloga Vania Neu, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

Ela instalou equipamentos que medem a quantidade de carbono nos rios, no solo e na chuva, com o objetivo de avaliar se a floresta contribui para reduzir a quantidade de gases causadores de efeito estufa na atmosfera.

“Pudemos observar que na água da chuva entra grande quantidade de carbono orgânico, que vem da agricultura, das queimadas e do desmatamento”, explica a cientista.

Na água pluvial, ela mediu a presença de 8200 kg de carbono por quilômetro quadrado ao ano. O índice é aproximadamente o dobro do registrado em zonas da floresta ainda distantes dos desmatamentos, como a maior parte do estado do Amazonas.

Foto: Vania Neu/Arquivo Pessoal

Situada na fronteira agrícola, a área estudada pela bióloga já tem plantações muito próximas. (Foto: Vania Neu/Arquivo Pessoal)



A bióloga conta que a área pesquisada é próxima ao Parque Indígena do Xingu. “As comunidades indígenas dali dependem do rio e da floresta para sobreviver. Fiz várias visitas para ver como estava a água e qual era o impacto do desmatamento e das queimadas na aldeia”, conta.

“Conversando com os índios soube que algumas atividades deles estão sendo prejudicadas. Com o revolvimento da terra para agricultura a água dos rios fica turva e há mais assoreamento. Eles me contaram que antes pescavam com arco e flecha pois viam os peixes. Agora a água é turva e não conseguem mais vê-los”, relata.

Segundo Vania, o revolvimento da terra com máquinas nas plantações, além de afetar os rios, contribui para a liberação de carbono para a atmosfera. “Quando a terra é revirada pelas máquinas, ocorre maior oxidação do solo”, explica.

Uma alternativa, aponta, é o chamado plantio direto, em que a terra não é revirada para a semeadura. Com esse método, a palha e os demais restos vegetais são mantidos na superfície da lavoura, servindo de cobertura e proteção contra processos prejudiciais como a erosão.

O solo só é manipulado no momento do plantio, quando são abertos sulcos para a deposição de sementes e fertilizantes. A técnica, explica a bióloga, é comum no Sul brasileiro.

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